Sexta-feira, 20 de Março de 2009

SAUDADE


Quero focar a minha atenção noutras coisas que não em ti mas só penso em ti. És presença assídua nos meus pensamentos dia e noite. Mesmo quando me divirto com cenas estúpidas que são, ao fim e ao cabo, o sal da vida de toda a gente. A tão aclamada felicidade, feita de pequenos momentos aqui e ali que nos fazem rir e sorrir.
Mas agora só me apetece chorar. E choro sem lágrimas. ficam retidas no meu peito e não saem. Por não saírem, transformam-se num mar, e sinto raiva! Tanta raiva...nem sei contra quê, contra quem. Ninguém tem culpa. É a vida e só temos que aceitar. Entre nós nunca houve manifestações de carinho, e, no entanto eu sei que tu sabes que eu te amo. Sempre amei.Mesmo quando me deixaste para ires para a guerra, mesmo quando me ralhaste, me bateste, me gritaste, eu sempre soube que tudo isso era por amor.

Embora nunca te tenha dito que foste sempre muito importante para mim, eu sei que tu sabes e não preciso de te dizer. Tu nem saberias o que responder.
 

Ontem disse-te que gostava muito de ti. Tu disseste que sabias.

 

Tudo isto me faz pensar; afinal porque acordamos e levamos a vida no meio  de coisas tão tão importantes para nós ? Porque é tão importante ter dinheiro, casa, educação? Porque tudo isto nos ajuda passar o tempo até ao dia em que , finalmente chega o nosso eterno descanso. É por isso.

 

Não receio esse dia. Muita vezes ansiei por ele por preguiça de viver, por achar tudo isto uma perca de tempo, uma seca interminável. Não entendo porque toda a gente tem medo do inevitável.Afinal parece que a vida é apenas e só um longo caminho para morte. O que se passa no meio, apenas ajuda a passar  o tempo. E dependedo de como o vivemos, pode ser mais ou menos penoso.

 

Sabes pai, eu sei que vais ficar bem. As minhas lágrimas, a minha dôr, é porque sei que tu sempre gostaste de viver.E são também as lágrimas do meu egoismo, porque choro e me doi já a tua ausência. Tenho saudades de todos os momentos que passei contigo desde que me conheço como gente. De todas as vezes que brincámos, de todas as vezes que nos zangámos, de todas as dificuldades que me ajudaste a ultrapassar. Tenho saudades.

 

O brilho dos teus olhos já não é o mesmo. Pareces adivinhar o inevitável. Mas admiiro a tua determinação em não te deixares vencer pela doença. A maneira como negas a sua existência. A tua teimosia sempre pesente. A mesma que te levou à desgraça.

publicado por sofianalua às 08:26

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