Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

PARA TI PAI

 

 

Nunca como este ano senti tanto a tua falta desde que te foste.

Parece que as lágrimas se juntam no meu coração e teimam em não sair. Uma saudade louca de ouvir a tua voz, de te sentir os passos na escada, de te ouvir ressonar no sofá a seguir ao almoço num Domingo.

 

Ainda me recordo da forma como abrias a porta de casa. Nunca esquecerei os teus passos de manhã em casa, os teus ataques de tosse. Tenho tantas, tantas saudades... É já o terceiro ano em que não estamos juntos no Natal. Será que até agora apenas tentei não sentir, fingir que não aconteceu? Agora acho que nunca vou deixar de sentir a tua falta Pai.

 

A mãe mudou tanto desde que nos deixaste. Será que foi sempre assim e eras tu que a fazias diferente? Ou será que eram um só, vocês os dois, e deixaste para trás uma parte que desconhecíamos ? Não reconheço a pessoa que ficou.  Fazes-nos tanta falta! Tenho saudades de nós. A nossa familia desmoronou-se  sem ti. Estamos um para cada lado. Tentando levar a vida e maçar o menos possível o outro. Tenho medo de falar de mim à mãe, porque tenho medo das atitudes dela. Tenho medo que ela aborreça o meu irmão com desabafos meus. E tenho medo falar de mim ao meu irmão pois sei que ele tem a vida dele e não tem que se preocupar comigo. Antes parecia tudo tão mais fácil contigo cá. Eu sabia que, apesar de já ser adulta, podia chegar aos meus pais e dizer o que me preocupava, as minhas coisas. Podia levar na tola, podias até zangar-te e xingar-me e foder-me o juízo até ao infinito. E eu ia levar contigo durante décadas. Mas....estavas lá. E agora não está la ninguém para mim. É a vida não é Pai? É a isto que se chama crescer, ficar velha. Agora é a minha vez de estar aqui para os meus filhos.

 

Já fiz tanta merda desde que te foste! Tentei encontrar alguém que me fizesse sentir segura como tu fazias. E...encontrei um oportunista.  Cada um enfrenta os desgostos como os sente. Magoei muita gente e agora desfazer a merda que fiz vai demorar tempo. Ainda bem que me alertaste a tempo. Sei que foste tu!

 

Mas mesmo assim...senti que estiveste lá para mim, e continuas a estar. Sinto, neste momento da minha vida,  uma força enorme para levar a vida para a frente, não por mim, mas pelos teus netos. Sabes, é como se uma cegueira me tivesse atingindo e eu só visse o objectivo final que é a vida deles. Dar-lhes uma vida como tu me deste. É esse o meu objectivo. E sinto-te por trás desta força que me vem. É isso que me fará feliz.

 

Sinto a tua falta. Sinto falta de me sentir, como direi, cercada do carinho da minha família, de tudo o que nós éramos. Sinto falta das tuas bocas para me atormentares, sinto falta dos complôs que fazíamos para atormentar a mãe com as nossas parvoíces, sinto falta das tuas brincadeiras com os teus netos. De como atormentavas a Carolina.

 

Sinto a tua falta física Pai. Mas sinto - te ao meu lado a dar-me força.

 

Obrigada Pai.

 

Por tudo o que fizeste que eu fosse. Pelo teu carinho nunca demonstrado,  mas sempre sentido, pelo teu esforço para nos dar a vida que nos deste, pelos princípios que nos transmitiste.

 

Estás no meu coração, na minha memória. Comigo.

sinto-me: http://youtu.be/YoEHOy60Pb4
publicado por sofianalua às 12:11

link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. PARA TI PAI

. ACABOU

. SAUDADE

. PAI

. ENCONTRO

. PALAVRAS

.arquivos

. Dezembro 2011

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Março 2005

. Maio 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds